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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012

Meia-noite eu chego lá

Acabou o horário de verão.
Morássemos num país sério, o governo estaria levantando dados da segurança para ver se realmente os registros de criminalidade aumentaram no horário em que as pessoas saem para o trabalho, principal acusação dos opositores do horário de verão.
A sociedade civil, por seu lado, estaria também fazendo o mesmo controle.
Mas, como aqui é Brasil, deixaremos para no ano que vem recomeçar o bate-boca na base do achismo e do deve ser.

Tudo tem limites.

Novela é ficção. Em tese não teríamos que discutir as coisas que se passam nela, a não ser a qualidade do texto e da dramaturgia.
O problema é que no Brasil, não só o público confunde realidade como ficção, com movimentos de minorias fazendo grita e ministra do governo interferindo na trama, como a própria novela se arvora a discutir assuntos de interesses da sociedade.
Nada contra tratar de assuntos atuais e polêmicos, mas as novelas, especialmente as das 21 horas da Globo, lançam a polêmica, conduzem os debates e apresentam seu ponto de vista como se a verdade fosse, e nessa estratégica contam com o restante da programação da emissora que dá um ar científico à obra ficcional.
A novela Fina Estampa discute o procedimento da reprodução assistida.
O primeiro erro que vi foi um homem da alta sociedade, esclarecido, dizer que não aceitava a inseminação, porque não admitia que sua esposa tivesse filho com outro homem. Ser contra a reprodução, até alegando que a criança não teria os mesmos…

Greve de fome.

Começou a circular no Facebok uma postagem sobre um "jovem" que estava em greve de fome na porta da Rede Globo, em protesto contra a omissão da TV em mostrar como foi o massacre em Pinheiro. Reclama a postagem que a Globo não mostrou a greve.
Em primeiro lugar, seria simplesmente absurdo querer que a Globo mostrasse qualquer coisa de um protesto contra ela, ainda mais que é um protesto justamente por ela omitir fatos. Mas, certamente, se outras emissoras mostrassem, a Globo teria que se pronunciar a respeito. Talvez as outras emissoras não tenham mostrado com medo de futuramente serem acusadas tambéms de omitir isso ou aquilo.
Mas, paranóico como sou, primeiro fui investigar esse "jovem". Não encontrei nada que demonstrasse que ele não está sendo sincero na sua manifestação, mas muda o fato saber que ele é um cineasta e que fez um curta documentário sobre o caso Pinheirinhos. Ou seja, mesmo que não seja essa a intenção dele, a greve vai ajudar a promover o vídeo.

Quem eu seria agora.

Fui assistir ao espetáculo Cabaret Stravaganza, no Espaço Satyro.
Não vou contar detalhes do que aconteceu, sob risco de estragar a surpresa de quem for futuramente ver o espetáculo, mas não posso deixar de comentar ao menos uma impressão que tive do espetáculo.
Em dado momento, foi perguntado a um espectador se ele pudesse escolher uma personagem, ali, naquele momento, para ser, quem ele escolheria.
A pergunta não me foi dirigida, mas confesso que pensei: Robson Catalunha! Qualquer um dos oito. Quem são esses oito, vocês terão que assistir ao espetáculo para conhecer, mas a questão é por que eu escolhi essa personagem pra ser.
Simplesmente porque, ao início da peça, Robson Catalunha, um deles não importa qual, me disse umas coisas que me fizeram pensar. E não importa se aquilo veio dele mesmo ou foi escrito por alguém, foi ele quem disse. Eu só conseguia pensar: como ele é jovem! Será que se eu tivesse a idade dele, pensaria assim, desse jeito?
Não adiantava lembrar como eu era aos 2…

Preocupações maternas.

Minha mãe me liga para saber da greve da polícia e quando eu disse que estava em São Paulo, ela reclamou:
"Viajou pra São Paulo e nem me avisou? Como assim? E se eu morresse?"

Não entendi... "e se eu morresse?"... que diferença faria avisar ou não antes de viajar? Pensei nesses três cenários:

Primeiro:
- Mainha, eu vou viajar pra São Paulo dia 07. Retorno no dia 13.
- Não. Não vai poder ir agora, não. E se eu morrer?
- Como assim? A senhora está sentindo algo? está doente?
- Não. Estou ótima. Mas você sabe, pra morrer, basta estar viva.
- Mas se eu não posso viajar essa semana, que a senhora está bem, vou viajar quando?
- Quando eu morrer... Depois do luto, claro.

Segundo:
- Mainha, eu vou viajar pra São Paulo dia 07. Retorno no dia 13.
- Que dia? Pera aí... Tá, pode ir, mas vou ter que desmarcar.
- Desmarcar o quê?
- Eu acho que ia morrer no dia 10. Mas com você viajando, vou jogar pra outro dia. Deixa ver... semana que vem é carnaval, melhor na Semana Santa que j…

Jogo de Dama

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Fui assistir ao show A Dama Indigna, com Cida Moreira.
É a segunda vez que vejo um show dela. No primeiro, foi onde vi pela primeira vez Márcia Castro.
Entre o primeiro e o segundo show fiz o download do seu novo cd, em um link disponibilizado por ela mesma, sob a condição de ir a dois shows. Só fui em um, mas comprei o dvd. Acho que conta.
Durante essa excelente apresentação, pensei que Cida Moreira não sabe cantar, Cida Moreira não sabe interpretar e Cida Moreira não sabe tocar piano.
Cida Moreira é uma artista. E usa o corpo, a voz, o instrumento, a palavra, o que for, para expressar essa arte de uma forma que ultrapassa o saber. É o ser dela.
Ainda que o show seja dirigido, ainda que ela esteja dando um texto, ainda que vista um figurino, a impressão que tive era que no palco estava a artista e a mulher, porque me parecem indissolúveis.
E não venham me dizer que é sempre assim.
Pude fantasiar Cida Moreira, na juventude, de macacão (sei lá porquê), à cata de um lápis, caneta, pince…

Gravações na grave greve

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Como eu imaginei, as gravações exibidas ontem no Jornal Nacional, revelando que Marco Prisco comandou, sim, atos de vandalismo durante a greve dos PM's, mudou o cenário das manifestações hoje.
Não havia alternativa, ou eles desocupavam a Assembléia Legislativa, ou seriam invadidos sob os aplausos do povo que, até ontem, responsabilizavam o governador por esse caos todo.
Não que o governador seja inocente, nem que a lista de culpados acabe em Marco Prisco e Benevenuto Daciolo.
Na verdade, essas gravações revelam um pouco do jogo que se desenrola fora das vistas do povo, dos trabalhadores, de quem pensa que manda alguma coisa nessa democracia, mas é usado pra lá e pra cá.
A greve não era por melhores salários na PM, como quase nunca é em todos os sindicatos, principalmente de servidores públicos. É um cabo de guerra político que utiliza uma reinvidicação justa dos trabalhadores para derrubar, manter ou levar alguém do, no ou ao poder.
Não à toa, Marco Prisco e Benevenuto Daciolo fo…

Amanheceu, peguei a viola, botei...

Em São Paulo foi proibida a distribuição das sacolinhas plásticas no mercado.
Medida adotada em várias partes do mundo, atitude ecologicamente correta, a princípio pensaríamos que  seria vista como benéfica. Não foi.

No país do "é tudo pra favorecer o empresário-explorador-capitalista contra o pobre-proletariado-consumidor", a gritaria começou dizendo que era absurdo ter que pagar pela sacola, que se "não pode dar, não pode vender", e um monte de outras coisas. Chegou ao ponto do PROCON mandar o mercado distribuir as tais sacolas biodegradáveis que seriam vendidas.
Então vamos por partes:

1 - A sacolinha nunca foi "gratuita". Supermercado não é obra assistencial e empresário não é filantropo. Não se dá nada. Tudo que se utiliza é repassado nos preços. Na verdade, na prática, o que a lei fez foi separar o custo da sacolinha apenas para aqueles consumidores que não quisessem trazer suas embalagens de casa. A gritaria deveria ter sido, isso sim, para que o m…