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domingo, 1 de março de 2015

Democracia, eu quero uma para viver

Instalou-se no país uma verdadeira guerra aos eleitores de Dilma, tornando-os cúmplices de todas as suas mazelas.

Isso se soma a uma verdadeira demonstração de preconceito contra os pobres, quando alguns apregoam, com orgulho, que falaram às suas empregadas domésticas,  porteiros, empregados em geral, que fossem pedir aumento à Dilma. Supõem, de cara, que todos da classe menos favorecida votaram em Dilma.

Como alguém que não vota no PT já mais de década,  e não tenho afinidades com o partido, sinto-me à vontade pra falar desse comportamento ridículo,  discriminatório ou hipócrita.

Quando Collor confiscou a poupança do brasileiro,  alguém saiu na rua condenando seus eleitores? Houve, sim, após vários erros de seu governo, uma perseguição a alguns artistas que o apoiaram, como de resto, há esse patrulhamento em todas as eleições. Mas nenhum gerente de banco disse ao cidadão desesperado que teve bloqueado o dinheiro que juntava para realizar algum projeto: vá pedir ao presidente que você elegeu.

Quando FHC reformou a previdência e chamou os aposentados de vagabundos, a indignação foi contra ele.  Ninguém virou pra um aposentado e disse: bem feito, quem mandou votar nele?

Fica sempre estabelecido que,  eleito o presidente,  ele é o presidente do país, e não dá população que votou nele.

O que tem ocorrido de diferente?

É porque, depois de muitos anos,  a pessoa escolhida tem sido escolhida pela camada mais pobre da sociedade.  E a elite brasileira e, pior que ela,  os menos pobres que sonham que são elite, não perdoam que a escolha não seja a deles. De forma alguma, mas pior ainda, se essa escolha se revelar errada.

Os ricos e os pseudo-ricos podem errar. Pra eles, tudo bem.  Mas o pobre, não. Se ele erra, isso se torna prova irrefutável de que não deveria ter nunca o direito de escolha.

Dilma é a presidente do Brasil,  para o bem e para o mal. Sua chegada ao poder, sua reeleição, sua impossibilidade de retirada (depois eu falo sobre esperneio de impeachment) são responsabilidades do nosso sistema eleitoral que vige há anos.

Os verdadeiros opositores do governo, fazem críticas sérias a ele e ao partido e não aos eleitores. 
Aqueles que criticam os que votaram é porque sabem que entre seus candidatos e os eleitos, no fundo,  a única diferença é essa: os eleitores. O resto é tudo igual.
Já tivemos vários Lulas e Dilmas no poder.  De várias cores e partidos.

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