Me engana que eu gosto

No mundo virtual, ter pernas curtas não constitui desvantagem e a mentira parece ter dedos ágeis que lhe garantem ir longe na páginas dos blogs e das redes sociais.
A mentira parece também ter um rosto sedutor e encanta mesmo àqueles que já foram alterados sobre seu caráter.
Eu sei porque alguém inventa uma mentira na Internet: por diversão, por ego, para roubar senhas.
Recentemente me ocorreu uma outra hipótese, ao lembrar de uma história de Agatha Cristhie no livro Os Doze Trabalhos. Em um dos capítulos, Hercule Poirot foi chamado a livrar a reputação de um político. Documentos comprometia viriam a público. O político era inocente mas não podia provar sua inocência naquele momento sem revelar segredos de Estado. Quando pudesse revelar já seria tarde demais para sua carreira. Poirot pensou e achou a solução. Na semana seguinte os tablóides ingleses estamparam a foto da mulher do político numa praia da companhia de um ator famoso. Especulações, comentários e a notícia rendeu ainda algumas dias, com o casal sendo visto em outros lugares, ela fugindo da impressa cobrindo o rosto, negativas oficiais, flagrantes do pobre marido em compromissos oficiais, tentativa de uma declaração... Ao final, revelasse para decepção de todos que não era a esposa do político, mas uma mulher muito parecida. A honrada senhora estava fora do país visitando algum parente doente.
Ah, sim. O tal escândalo dos documentos foi noticiado, em lugares escondidos nos jornais, mas sem atrair a atenção do público interessado na infidelidade da honrada senhora.
O texto revela uma grande função do boato: desviar a atenção dos fatos verdadeiros.
Ainda não sei porque alguém repete uma mentira que não lhe trará qualquer vantagem, mesmo após ser revelado que se trata de uma mentira.
Mas os incautos reprodutores dos hoaxes fazem sua parte como inocentes inúteis.

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