Mau perdedor

Brasileiro não sabe perder. Eu já falei aqui que ele é mal humorado, mas ele também é um péssimo perdedor. E dois episódios recentes comprovam isso.

Quando Carlinhos Brown foi indicado ao Oscar, os brasileiros, especialmente os baianos, se orgulharam e com razão. É uma honra ser indicado ao Oscar, não é coisa pra qualquer um. A TV Bahia enviou repórter pra lá. Matérias com Brown todo o dia. Torcida no Facebook e, acredito, em outras redes sociais. Desencavaram tudo que é foto dele. Na casa dele todo mundo se reuniu pra acompanhar. Afinal, trata-se da maior premiação de cinema do mundo.
Mas eis que anunciaram o vencedor e, só porque era outro, as reações não foram a de decepção e trsiteza normal. Os brasileiros não se limitaram a lamentar que, apesar da qualidade da música de Brown, ele não fosse o vencedor. Passaram a desfazer dos jurados, da academia, de menosprezar a premiação. Coisas como "ele é maior do que isso", "ele não precisa de um Oscar", "essa premiação não quer dizer nada", foram algumas das frases que eu vi, nem tão literalmente.
Ora, se a premiação não fosse importante e não tivesse um significado, por que então toda a agitação antes? O próprio Brown exibiu na TV, com orgulho devido, o certificado de indicação. O mais digno seria dizer que, infelizmente não deu, que a música de Rio apesar de linda, talvez não seja agradável para o gosto dos americanos, e que foi bom ter sido indicado.

O outro caso, mais recente, mostra que nem só na área de entretenimento o brasileiro não sabe receber críticas negativas.
Quando há alguns meses, a FIFA fez elogios aos trabalhos desenvolvidos pelo Brasil para a Copa, a notícia foi espalhada aos quantro cantos do país e, até quem se diz indifirente a esse evento, ficou impressionado. Afinal, a avaliação foi da autoridade competente para tal. Agora, Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA, avaliando as discussões inúteis e sem argumentos no Congresso que impedem a aprovação da lei da Copa, disse que o Brasil precisa de "um chute no traseiro" para acelerar esse processo. O Brasil poderia contra-argumentar (se argumentos houvesse), poderia dizer que os termos não foram os mais polidos, enfim... ao invés disso, fez beicinho e disse que não fala mais com o secretário da FIFA, que "exige" que a pessoa seja outra, que aquela declaração "não corresponde à realidade dos fatos". Ou seja, a capacidade avaliativa do secretário só serve quando é favorável aos brasileiros.
O pior é a população se dizendo ofendida, quando na verdade, deveria apoiar um "chute no traseiro" dos congressistas para que aprovassem não só a lei da Copa, como os diversos projetos que lá estão há anos sem aprovação, quando esse é o trabalho deles.
Acertadamente o Secretário da FIFA disse que se recusar a falar com ele, que é a pessoa com quem devem falar, é uma atitude infantil. E é. Assim como devem parecer infantis o nosso sistema político e eleitoral aos olhos de qualquer país civilizado.
Somos maus perdedores, sim, e além disso, ainda jogamos os jogos errados.

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