Teletela

Circula ne internet um vídeo com beijos entre gays durante o carnaval, no bloco Crocodilo.
Se por um lado, muitos encaram isso como uma celebração da diversidade, por outro eu acho que esses vídeos podem ter um efeito oposto.
Pra começo de conversa, admito que essas pessoas se beijaram em um local público que sabidamente era foco de câmeras, então deveriam pressumir que seria flagradas. Mas quem pressume alguma coisa durante o carnaval? Não falo apenas dos gays, falo das pessoas que fazem coisas no carnaval que necessariamente não gostariam que suas mães, filhos, esposas, namorados, que não estão na avenida, vissem.
Não se trata, aqui, de discutir sobre divulgação das imagens nem nada disso, mas em como nossa vida tem se tornado mais chata com tantas câmeras, máquinas digitais e celulares por aí.
Uma coisa é ter câmeras de segurança em locais públicos. Quanto a isso, eu sou a favor. Se estou em um local público não devo me preocupar com que autoridades responsáveis pela segurança veja o que estou fazendo dentro da lei.
Mas alguns eventos deveriam ser vistos apenas por aqueles que estão no local, sentindo o mesmo clima, imbuídos do mesmo espírito.
A tal professora que dançou com "tudo enfiado" não seria julgada tão severamente pelos outros participantes daquele baile.
Se uma pessoa encontra um colega de trabalho numa casa de suingue, fará uma espécie de julgamento. Pode até ter um "quem diria", mas certamente é bem diferente do que o juízo que fará aquele que descobre o colega através de um vídeo feito cladestinamente.
É fácil taxar a vizinha de piriguete porque a viu no Band Folia beijando três rapazes atrás do trio. Mas e se você estivesse na rua, tão cheio de alegria e cerveja quanto sua vizinha, pensaria o mesmo?
É certo que não.
Não temos mais um clube do Bolinha, pois um dos meninos sempre filma a reunião e as meninas não precisam mais entrar pra saber o que tem lá. Abundam na internet vídeo de despedidas de solteiras, onde as mulheres à vontade sem seus companheiros se divertem com strippers. Mas esses eventos dependem da descontração de uma proteção de olhos críticos daqueles que não fazem parte da festa.
Precisamos retomar a noção do privado, do oculto, do escondidinho.
Não estou dizendo que pessoas devam ter vergonha, ou que não assumam as consequências, de seus atos. Mas com as câmeras não dá pra avaliar mais nada, pois não podemos mensurar o alcance daquele ato. Uma coisa que faço diante de 3 pessoas, pode ser vista por 200! E eu não tenho idéia de quem são essas pessoas.
Abaixo a vigilância constante dos curiosos covardes. Quer saber o que acontece num carnaval, numa casa de suingue, num baile funk, numa sauna gay, num bordel de periferia? Vá até lá.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Então não vamos mais brigar

Respeito póstumo

O vento que venta aqui