Buscar ali um cheiro de azul

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Foi minha primeira viagem pela Azul. Talvez por isso, não tinha reparado ainda uma certa "inclusão aérea" que ocorre no Brasil. Manchetes como "Classe C já pode voar alto" ou "Empresas aéreas parcelam passagem em até 36 vezes para conquistar classes C e D"não me diziam muita coisa. Até hoje.
Logo no check in era possível ver vários passageiros de primeira viagem, perdidos sobre onde ficar, o que fazer etc. No embarque, não pude deixar de reparar nas bagagens de mão. Eram sacolas de papel da Crismar, Multimarcas, Real Calçados, Boticário e do Projeto Tamar. Na hora de pegar as malas, isopor e sacolas do Bompreço.
É a rodoviarização dos aeroportos.
Mas não deduzam aqui qualquer crítica ao fenômeno. Ao contrário, sou um beneficiário de um momento anterior dessa redução de preço das passagens aéreas. Sem ela, eu não poderia viajar com a freqüência que viajo. Agora, redução e facilidades maiores atingem gente com renda menor.
E que ninguém pense no "benefício" que está sendo estendido aos pobres. Na verdade, se a classe operária está indo ao paraíso, as empresas precisam desse dindim para sair do inferno, pois seu público de até então não consegue sustentar o serviço. Ou alguém acredita que os empresários baixam o preço pelo amor que Jesus lhes coloca no coração?
No mais, qualquer comportamento estereotipado acerca de pobres dentro de um avião não ocorreu. Não houve batucada, barulheiras, gritos de medo nem aplausos na aterrissagem, comportamentos que estão relacionados mais com o fato de estar em grupo do que com a classe social dos passageiros.
Agora que TV's de LCD e pasagens aéreas estão mais perto do populacho, preparem-se para a próxima conquista: as piscinas.

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