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Quando Bruno Motta me convidou a ir visitá-lo no camarim após o espetáculo, transmiti logo a preocupação que tenho sempre que vou visitar um conhecido no camarim após o espetáculo. Eu sei que o artista vai logo perguntar: "E aí, gostou?"
Se você gostou do espetáculo, tudo bem. É só responder. Mas e se não tiver gostado? A princípio podemos pensar que basta responder um "sim" e deixar o artista feliz. Mas essa resposta traz comprometimento. E se o sujeito continuar com: "Gostou mais do quê?" Ora, quem gosta de verdade, vai responder na lata, mas quem está só sendo agradável vai ficar em maus lençois, tentando achar algo que pareça bom pra justificar a resposta. E ainda tem o risco de o próprio artista não ter gostado do espetáculo, não estava bem naquele dia, algo não saiu direito, foi tudo uma merda, então ele vai sacar que você não pode ter gostado, portanto, está mentindo.
Gésner Braga, certa feita, reclamou comigo de que ele não estava bem em determinado papel e que só percebeu quando se viu no vídeo, melhorando sua atuação a partir dali e arrematou que nenhum amigo tinha feito o favor de dizer que ele não estava bem.
Como nem todos os artistas têm a autocrítica de Gésner Braga e eu não sei quem quer ouvir a verdade ou não, sempre que percebo que o artista vai perguntar se eu gostei, nem deixo terminar a frase e já começo:
- Adorei aquele cenário;
- Que figurino lindo, de quem é?
- Rapaz, que luz foi aquela naquela hora que você entrou chorando?
Ou qualquer outro comentário, sincero, de algo que tenha me agradado (porque sempre tem), cumprindo assim meu papel de ter elogiado algo de bom da peça, sem entrar em maiores detalhes de que não gostei do geral.
Mas o show de Bruno Motta é um stand up que, ao que se sabe, não tem cenário, não tem figurino e a luz é uma só. Eu ia dizer o quê?
- Cenário minimalista! A cortina do teatro. Massa.
- Figurino casual, da hora.
- A luz não tava forte, né?
Felizmente, o espetáculo de Bruno Motta é bom. Aliás, é muito bom. Eu poderia ir ao camarim tranquilo e dizer que gostei caso ele me perguntasse, sem passar vexame algum. Quer dizer, quase. Quando chegamos, Bruno estava ao telefone e nos cumprimentou. Desligou e perguntou: - Gostaram?!
Respondi: - Tinha cenário! - Achando que ele iria entender a referência, mas aí me toquei de uma verdade. Assim como ocorre na televisão, as pessoas que eu vejo no Youtube não conseguem me ver. 
Apesar de falar com Bruno por email algumas vezes, só ali me dei conta de que ele não sabia como eu era. Portanto, não poderia entender quem era aquele espectador que fez um comentário imbecil daqueles. Na verdade, Bruno já esteve adicionado no meu orkut, mas isso foi há muito tempo, antes de eu sair. Então é lógico que eu lembre como é a cara dele, mas ele não tenha mais idéia, nesse tempo, de como seria a minha. Antes que eu pudesse me apresentar, chegaram uns amigos dele e ele foi atender.
Pensei: e agora? Para me dar acesso ao camarim, o rapaz da produção perguntou se Bruno me conhecia e eu disse que sim. Naquele diálogo ficou claro que não. E o cara do meu lado, olhando pra mim, achando que eu era um baita de um mentiroso.
Pra piorar, Andréa tinha pedido, aliás, exigido, que eu tirasse uma foto com Bruno, para provar que estive no camarim. Eu não ia interromper a conversa dele com os amigos para pedir pra tirar uma foto, e ela não ia acreditar em mim sem a tal prova. Respirei fundo, aproveitei um intervalo na conversa e fui me despedir, aproveitando a deixa para me apresentar.
Bruno então compreendeu quem era o sujeito que estava ali (mas a piada sobre o cenário ficou para sempre perdida) e até tirou a tal foto, que está aí abaixo, para Andréa para de encher o saco. Mas não tive coragem de pedir o autógrafo que ela queria.
Na confusão, não percebemos que eu e Vinícius ficamos no degrau de cima, o que fez parecer que Bruno Motta seja mais baixo do que a gente. Na verdade é da mesma altura.

Comentários

  1. CADÊ A FOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOTOOOOO?

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  2. Vai ver meu blog!

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