Eis a questão!

Três filmes lançados este ano tem uma tematica comum.
Gamer, Substituos e Avatar mostram pessoas vivendo em outros corpos.
Mais do que simples coincidência, os filmes revelam uma tendência de nossa sociedade.
Ainda não podemos mudar de corpos, mas o que fazemos quando criamos um nick nos messengers, chats e ambientes virtuais na internet da vida, senão criar uma persona diferente da nossa? Pelo menos assim pensamos.
No mundo em que o "ter" é o mais importante, o "ser" virou um produto que, acreditamos, pode ser trocado facilmente.
Mas que ninguém culpe o mundo virtual por esse desvirtuamento de valores. Diz um ditado árabe que quando apontamos para a lua, o idiota fica olhando fixamente para o dedo!
Fora da internet, já encontrei gente que, sem saber onde eu trabalho, se apresentou como Oficial da Justiça do Trabalho. Passei mais de cinco anos acreditando que um sujeito era advogado, pelo menos assim me foi apresentado, para depois saber que ele nunca foi cursou uma faculdade de direito. Sei de colega que se apresenta como juiz.
Tirando os casos de escroques, que mentem para obter algum lucro, essas pessoas são infelizes em ser como são mas não tem coragem de procurar mudar e assumem uma nova persona na tentativa de enganar aos outros e a si mesmas.
O trágico é que não conseguem. Em sua tentativa frustada de fingir ser uma pessoa 10 anos mais nova do que realmente era, com uma rotina de ginasticas, botox e plásticas, Leila Lopes não conseguiu esconder seu verdadeiro ser: uma mulher insatisfateita em viver sendo quem era. E deu fim à vida.
O motivo é que a essência da pessoa não se encontra no corpo, no cargo que ele ocupa ou no que ele possui.
A ciência diz que a cada dez anos trocamos todos os átomos de nosso corpo. Ou seja, estou caminhando para a quarta troca de corpo, mas ainda assim, sou em essência quem eu sempre fui. As mudanças que fiz na vida nada tem a ver com as alterações físicas ou o emprego. Ao contrário, essas muitas vezes é que são resultados daquelas.
Você pode adotar o nick que for, fingir ter a profissão que quiser, enganar a idade o quanto puder, que o que você é continua lá.
A questão, no fim das contas, se resume em "ser ou não ser".


Comentários

  1. Anônimo11:45

    Adoro seus textos, sua forma de escrever ... Sua clareza de pensamentos.
    Estou sempre por aqui.
    Um abraço,
    Mari.

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