Pela moral e pelos bons costumes

"Direitos quem, quem direito anda". A frase, que pode fazer muito sentido na cabeça de muitos, foi usada durante o regime militar para justificar qualquer ato contra quem "não andava direito", o que significava, quem não andava de acordo com as regras impostas pelos militares.
Sob muitos aspectos, é o que vejo retratado no caso da professora que dançou com "tudo enfiado" e foi demitida em seguida. Algumas pessoas disseram que a conduta da mulher seria motivo de dmeissão por justa causa, outros que tirariam seus filhos da escola se a professora deles fizesse aquilo.
Fora tudo que eu já disse sobre os perigos de fazer um julgamento moral, que é uma questão subjetiva, procurei pesquisar mais sobre a ingerência dos patrões sobre a vida pessoal dos seus empregados.

"A arte é livre e deve continuar livre, mas tem de se adaptar a certas normas!". Após o discurso onde usou essa frase, Joseph Goebbels conversou com Ludwig Klitysch, o diretor da principal produtora alemã, a Universum Film AG (UFA). Pouco tempo depois, a empresa demitiu seus funcionários judeus. O ano era 1933 e Goebbels era Ministro da Propaganda de Adolph Hitler. Só para lembrar, Hitler não assumiu o poder propondo matança de judeus. As ações foram paulatinas de perseguição, confinamento em guetos, confisco de bens, campos de concentração e campos de extermínio.
Sem querer cair em comparações grosseiras, que minimizam no imaginário a desgraça que foi o regime nazista no mundo, quero apenas demonstrar que toda ação pode ser justificada e chancelada com finalidades de ordem, moral e bem estar coletivo.
Não podemos perder o foco principal do que está acontecendo no mundo, ainda que com um atraso de mais de 20 anos do que profetizou George Orwell. O Big Brother existe e é muito mais pernicioso do que um simples programa de televisão sem conteúdo.

Na Tailândia, um empregado foi trabalhar com uma camiseta em que estava escrito: "não é crime não se colocar de pé. Não é crime discordar". Acontece que lá, os cinemas exibem diariamente o hino nacional com imagens do rei e todos devem ficar de pé, sob pena de ser considerado crime contra a casa real. Notem que a punição ao empregado não partiu do ditador, mas de seu patrão. Mas isso é na Tailândia e a gente pensa que não tem nada a ver com o que acontece em ditaduras em países subdesenvolvidos e longínguos.

Na civilizada Inglaterra, a empresa Ivell Marketing & Logistics demitiu uma empregada porque ela escreveu que Facebook que seu emprego era chato. Quase posso ouvir os defensores da ordem dizer que se ela "não gostava do emprego deveria sair mesmo". Há uma diferença grande entre trabalhar bem e gostar da empresa em que trabalha. Se todo mundo achasse seus empregos perfeitos e engolissem as críticas a eles, os sindicatos e as conquistas trabalhistas não existiriam.

A empresa Inglesa agiu contra a liberdade de expressão, como a Tailandesa, e julgou um empregado por um ato privado que ela praticou fora do estabelecimento da empresa. Assim como ocorrido com a professora.

Na pátria eleita por Deus para ser exemplo mundial de liberdade e democracia, alguns brasileiros ingressaram com ação na justiça por serem obrigados a trabalhar mais que os americanos, sem receber hora extra. A Shirley Roofing Company, ao receber a notificação, convocou todos os 40 empregados brasileiros e os demitiu. Além de ameaçar deportá-los.
Eles, os patrões, tem um sonho. Nós, empregados, somos meros coadjuvantes na construção desse sonho e devemos seguir um script pré-estabelecido 24 horas por dia.

Uma empresa de Michigan (Adivinha onde fica?), preocupada com os custos de planos de saúde, resolveu obrigar seus funcionários a pararem de fumar. Não que eles devessem evitar o fumo dentro da empresa, mas em suas vidas. Para comprovar se estava sendo obedecida, a empresa faz exames periódicos para avaliar o teor de nicotina no organismo dos funcionários. 5 deles ingressaram na justiça, mas perderam a ação. Entusiasmada com o aval dado pelo judiciário a empresa começou a "aconselhar" os funcionários acima do peso que mudassem seus hábito alimentares.

A empresa se acha então no direito de dmeitir fumantes e gordos. Com um fundamento objetivo: eles custam mais ao plano de saúde empresarial. Mas passando por cima das liberdades individuais. Certamente encontrarão motivos econômicos ou moralistas para demitir católicos, adventistas, gays, ciganos, deficientes físicos, divorciados, ou, quem sabe numa distopia lá por 2090, seguindo a cartilha de Orwell, as empresas tenham um molde que exija não falar palavrões, não cuspir no chão, não infringir regras de trânsito, ser bom pai ou boa mãe, ter uma religião, todas, certamente, boas condutas, mas que ninguém acha que deveria ser obrigada aum funcionário por seu contratante. Ou acha?

Comentários

  1. Anônimo16:02

    Ops... não esqueça de colocar na lista de características "indesejáveis" as disfunções genéticas, que prometem ser muito mais caras que ser gordo ou fumante.

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