O Brasil criança

Ontem contribui com um sistema de distribuição de renda que não é propagandeado pelo governo Lula, mas que funciona.
Um membro de uma ong não identificada se dirigiu a mim, enquanto o taxi estava parado no semáforo, e com quatro palavras repetidas duas vezes num volume um pouco mais alto do que uma conversa pede, tavez exigido pelo barulho do trânsito, tentava convencer-me que o Bolsa-família, bolsa-escola, vale-gás e outros vales misérias, sustentados pelos impostos que descontados no meu salário e pagos indiretamente através de compras e serviços, não estão sendo suficientes para atender todos aqueles que, como ele, não conseguiram, ou não querem, um emprego formal e são muito tímidos para vender dvd pirata naquele mesmo semáforo.
Menos as palavras do que o instrumento perfuro-cortante que acompanhava a palestra, substituindo com êxito qualquer powerpoint na arte do convencimento, me fizeram contribuir com meu aparelho de celular.
Ou melhor, com meu iPhone, já que naquele exato momento eu tinha recebido uma mensagem alertando-me para a forma (arrogante? petulante?) como eu tinha descrito numa postagem anterior que possuía tal aparelho.
Olho gordo? Castigo divino? Não pensei muito sobre isso.
Depois de sentir raiva de mim (por não ter percebido a aproximação do sujeito), do taxista (por não ter ar condicionado me obrigando a ficar de janela aberta), dos ambulantes que infestam o semáforo (por atrapalharem que a gente perceba mais um se aproximando do carro) e dos guardas que estavam no passeio certamente admirando a fachada do shopping (por, mesmo depois de informados por outro motorista e por mim, continuarem seu caminho tranquilamente, apesar de nos garantir que iam adotar as providências), finalmente voltei meu foco para quem realmente merecia minha ira: o tal sujeito que me apontou a faca.
Pensei no que eu desejava pra ele? Ser preso e passar a comer, dormir e vestir-se sustentado pelos meus impostos? Não. Não tenho tanta caridade no meu coração, para querer sustentar um sujeito que ameaçou a minha vida. Naquele momento o que eu mais desejava era ser um ex-pugilista famoso com contatos na polícia para poder fazer uma ligação e resolver esse problema. E se alguém me visse chorar, certamente não seria por pena do marginal.

Comentários

  1. Anônimo12:43

    Muito bom Dja! Também já tive vontade de ser ex pugilista... Aliás, do jeito que caminham as coisas e a humanidade, Salvador vai ter um novo gritinho no carnaval: Mãos para cima popós!!!!
    (Patty)

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  2. Anônimo13:19

    QUERIDO AMIGO ! VC TEM MUITO MAS A GANHAR DO QUE A PERDER. SUA VIDA É MUITO MAIS INPORTANTE QUE UM APARELHO DE CELULAR.NÓS BATALHAMOS E SEMPRE LUTAREMOS PELOS NOSSOS OBJETIVOS.VC ESTA BEM ISSO É MAIS INPORTANTE. COM CARINHO SEU GRANDE AMIGO JEAN

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  3. Anônimo13:24

    muuuito ruim essa sensação de impotência diante do instrumento perfuro-cortante (é isso?! hehe)
    mas, se ligue, restamos nós, os amigos, e a velha reflexão sobre tudo que nos acontece nessa vida.. eu passei dois meses com o braço no gesso porque reagi a um rapaz desses que queria o colarzinho que foi da minha mãe.. R$5,00, R$10,00 pra ele, uma lembrança muito estimada pra mim.. saí do evento fortalecida, porque não entreguei o colar, mas com a mão quebrada.. bjs, se cuida! Sil

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  4. Sil. Entre os "se"s que inundaram minha mente depois, eu ensei sobre a reação e, claro, lembrei de você. Mas além de ser muito mais difícil reagir quando se está sentado e amarrado por um cinto de segurança, não estava em jogo algo tão importante quanto a medalhinha de sua mãe. O celular era substituível (eu ia dizer "facilmente" substituível, mas moro em Salvador e foi uma peregrinação pra conseguir outro).

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  5. Anônimo12:28

    Eu tenho alguns telefones de taxis com ar condicionado.
    É o apoio que posso lhe dar neste momento.
    Beijo,
    Geraldo

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