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Olé

Mais uma matéria sobre baianos que não conseguiram entrar na Espanha. Nos relatos, as pessoas confundem maus tratos, com um tratamento não polido. Uma disse que uma senhora diabética foi mal tratada. Essa senhora, ao ser entrevistada, disse que pedia para que deixassem ela entrar no país para ver a filha, porque estava com saudade e eles negaram. E o país tem obrigação de deixar entrar quem tem diabetes ou sente saudade? Outra reclamou que os medicamentos dela foram recolhidos e, na hora dos remédios, eles traziam e ela só podia pegar a quantidade certa daquela hora. E pra quê que ela queria ficar com todos os medicamentos? Iam tentar se suicidar? Outra reclamação foi que eles teriam dito que "quem sentir dor de cabeça à noite nem adianta chamar que eles não trariam remédio". Duvido que a Espanha tenha regras específicas para dores de cabeça noturnas. Mais fácil imaginar que tenham dado um aviso, ainda que grosseiro, sobre o horário de funcionamento do setor que confis...

Me faça uma garapa!

Cada vez mais tenho vontade de repetir a frase do título, a qual ouvia de minha mãe desde o tempo em que eu não tinha idéia do que fosse uma garapa. Outras vieram depois, "me deixe", "se saia", "me poupe"... Mas "me faça uma garapa" ainda me parece muito adequada em certas ocasiões. Ocasiões como quando percebo que virou lugar comum na internet (como se tudo na internet, pela facilidade com que é replicado, não fosse lugar comum), dizer que as pessoas são mais felizes no Facebook, no MSN, no Instagram do que na vida real. Oh! Amigo, você acha? Parabéns, você acaba de descobrir que as pessoas mentem. Surpresa. Desde que aprendeu a se comunicar, os homens contam as suas historias de forma fantasiada. A realidade é vista, sentida e presenciada por todos. Ela é comum. Não precisamos compartilhá-la. Pelo menos não com todo mundo e não com tanto entusiasmo. A realidade é o ascensorista me perguntando pra qual andar que eu vou, a realidade do Faceb...

A César o que é de César

Não quero defender Thor Batista, porque não tenho preocupação com o sofrimento dele. Mas me preocupa a falta de maturidade dos brasileiros em tratar com questões jurídicas com serenidade, optando pelço linchamento para colocar pra fora toda a opressão que não tem competência para combater com ações de cidadania. Os fatos até agora: Thor Batista atropelou um ciclista e esse morreu. Thor Batista prestou socorro à vítima, foi até a Polícia Rodoviária relatar o ocorrido. A favor de Thor Batista temos: 1 - Fez o teste do bafômetro e provou que ele não bebeu; 2 - Um laudo mostra que ele não estava acima da velocidade máxima permitida; 3 - Um exame diz que o ciclista estava bêbado, o que pode levara crer que ele foi descuidado e estava no meio da pista como Thor alega. Contra Thor Batista pesam: 1 - Seu histórico de muitos pontos na carteira; 2 - A alegação da família da vítima que acha que ele estava no acostamento e deduz isso pelas marcas de sangue; 3 - Ser rico; O...

Salvemos nós dois.

A primeira vez que vi isso foi no Shopping em Feira de Santana. Depois foi no Edd Burguer, na Pituba. Hoje, no Itaigara, no Caminho de Casa, vejo pela terceira vez uma mãe trocando a fralda do filho em uma mesa de restaurante. O cúmulo da falta de higiene e respeito. Nem os animais, pelo menos os que eu conheço, misturam fezes e alimentos no mesmo local. Eu sei que uma das consequências do inevitável processo de idiotização da humanidade, o qual estamos tendo o privilégio de testemunhar, é a transformação de espaços públicos em extensão do espaço privado de cada um. É o pé na poltrona do cinema, falar ao celular no elevador, armários nas garagens dos prédios, som alto dos carros e por aí vai. Mas quando se trata de mãe e seus rebentos, parece que estamos falando da genitália da mãe de Deus. É algo que não devemos sequer mencionar, quanto mais criticar. É como se, pela grande proeza de trazer ao planeta mais pessoas para consumir os já escassos recursos, essas pessoas ganhassem o ...

Justiça em pirataria

A indústria do entretenimento diz que a pirataria é o mal do setor. Os usuários dizem que é o preço alto dos produtos. Pra mim, é o desrespeito ao consumidor. Costumo comprar caixas e caixas das séries que não consigo acompanhar pela tv. Em geral, aguardo o preço cair depois do lançamento da temporada seguinte. Pois bem. Com o lançamento da 5ª temporada de Justiça Sem Limites (Boston Legal), tentei comprar a 4ª, porém em todos os sites de compra a informação era a mesma: produto indisponível. Procurei a Fox e me informaram que o produto "havia esgotado". Ai já é subestimar a minha inteligência. Como poderia a 4ª temporada ter se esgotado, se há várias ofertas de todas as demais? Será que varias pessoas resolveram comprar apenas essa temporada da série, ignorando as anteriores e a seguinte? Só se tivessem extras com os vídeos de Pamela Anderson e Paris Hilton! Sabendo que a versão argentina tinha legendas em português, procurei por lá, mas também só encontrei outras temp...

Golfinho

Golfinho - Duda Valverde Essa música vai pro meu amigo que não tem Facebook. Os motivos de não estar na rede social ainda são parte do seu charme,  do que o faz tão especial e querido por todos (bom, nem todos, e certamente nem todas, mas isso também faz parte do seu charme). No momento, talvez ele não perceba isso, mas em breve ele transforme esse cais num mar e volte a nadar tão livre como gosta. Eu realmente te amo. Saiba que torço por você e gosto mesmo desse seu jeito enrolado e furão de ser. (Só pra você não estranhar que qualquer elogio tem que ter uma porrada).

Pra quem não conhece e pra quem ama.

Você já viu Jussara Silveira? Ricardo Freire (Jornal da Tarde - 25/10/2000) Eu sou do tempo em que Chico Buarque tocava na FM. E não era em rádios tipo a Eldorado, não: era em qualquer FM. Lembro perfeitamente que Geni e o Zepelim ficou semanas a fio em primeiro lugar na parada - pasmem - da Rádio Cidade (em Porto Alegre, pelo menos). Tudo bem que estava todo mundo besta de a censura (a temível Dona Solange) ter liberado o verso joga bosta na Geni. Era mesmo inacreditável poder ligar o rádio e cantar junto joga bosta na Geni! joga bosta na Geni! - parecia o primeiro sinal de que um dia os milicos iam realmente cair. Palavrões à parte, o fato é que, naquele tempo, MPB e FM conviviam no mesmo alfabeto. Naquele verão de 79, centenas de milhares de argentinos aproveitaram o câmbio vantajoso (é a chamada Lei de Passarella: argentino gosta de levar vantagem em tudo) e invadiram o Brasil. Cada um deles voltou para casa com uma TV colorida 14 polegadas no colo e um d...